Posted by: u.r. | March 28, 2009

Nova Música Brasileira

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Pelos posts publicados aqui no blog, pode-se observar que eu venho insistentemente ignorando e negligenciando a música brasileira. Não é para menos. O cenário musical brasileiro há muito parece ter entrado em um estado de hibernação e dá última vez que tentaram mexer em alguma coisa por lá, saiu o NX-Zero, Fresno, César Menotti e Fabiano e outros produtos do mesmo gênero, o quê foi um incentivo enorme para que não se buscasse mais nada por lá. Do quê eu tinha notícia, a última aposta de música jovem e popular foi o Jota Quest, isso pelos idos dos anos 90 e de onde eles parecem nunca pretendem sair, sempre apostando na fórmula “mais do mesmo”. Qual não foi minha surpresa em notar que muita coisa boa tem saído ultimamente, ou pelo menos descoberto por mim, nestes últimos tempos.  Não é que a roda esteja sendo (re-)inventada, na verdade, há até um resgate do samba de raiz e releituras de antigos clássicos da música popular brasileira, mas somente pelo salto de qualidade já está valendo. A musa dessa nova safra da música brasileira é a pernambucana radicada carioca Roberta Sá, linda, talentosa com uma voz doce, ritmada e… alguém aí tem o telefone dela? Roberta tem todos os predicados para ser minha futura esposa, já pensou acordar ouvindo “Pelas Tabelas”, de Chico Buarque, regravado no primeiro CD da cantora? Ou quando ao chegar tarde em casa, discutir ao som de “Cansei de Esperar Você”, de D. Ivone Lara, que ganhou uma releitura com toques de drum ‘n’ bass, no segundo álbum  “Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria”?  Rodrigo Maranhão também foi uma excelente descoberta, fazendo um som próximo do regional, basicamente sustentado na voz e violão, amparado em letras magníficas. A cantora Mariana Aydar investe na seara do novo samba, fazendo releituras de clássicos com instrumentação moderna, como é o caso de “Minha Missão”, de João Nogueira, em uma interpretação inspirada. Outra cantora que me surpreendeu foi Luiza Possi, mais conhecida por ser a filha da interpréte Zizi Possi, que começou fazendo versões de músicas estrangeiras, sem muita personalidade, ganhou maturidade e cresceu como cantora e compositiora desde seu último disco de estúdio, “Escuta”, de 2006. O rapper Marcelo D2 vem investindo no samba desde sua estréia solo, abandonou aos poucos as letras de cunho “maconheirístico”, teve a manha de samplear trechos de  outros artistas, de outros gêneros  e acabou caindo no gosto popular, emplacando até música em novela da Globo (não que isso signifique grande coisa).  O outro Marcelo, o Camelo, explorou “venturosamente” a bossa nova e a MPB, em seu disco solo,”Sou”, o quê é um bom consolo desde o fim (?!) dos Los Hermanos. Já no rock, a banda que mais me surpreendeu nestas descobertas não existe mais, infelizmente. A paulistada da banda Gram, que eu conhecia apenas pelo clipe legalzinho da música “Você pode ir na janela” se separou deixando aos fãs órfãos, inclusive os novos como eu, apenas 2 discos, pode se ver que os caras tinham muito potencial. Viciei em “Seu minuto, meu segundo”, do álbum de mesmo nome, no qual tem uma leve semelhança com o The Killers (ênfase no LEVE), não sei se pela batida, ritmo ou temática.  Dos que permanecem na ativa tem o Moptop, que chegou a abrir em 2007 os shows em SP para a minha banda favorita, o KEANE (uma das favoritas, pelo menos). Seu som ecooa pros lados do Artic Monkeys e The Strokes, sem falar das capas e da arte dos discos que é digna de qualquer banda de sucesso internacional. Para finalizar o tour pela nova música brasileira, não poderia esquecer o cantor e compositor mineiro Vander Lee, que na verdade já está na ativa desde 1987, mas que só começou a ganhar reconhecimento a partir de 2005-6, com suas letras  de uma poesia incrível e de uma sensibilidade enorme. Ufa! Acho que é só, pra quem achava que a música brasileira não tinha mais nada a oferecer já é um ótimo começo.

Roberta Sá – Alô, Fevereiro

Mariana Aydar – Minha Missão

Rodrigo Maranhão – Caminho das Águas

Luiza Possi – Escuta

Marcelo D2 – Desabafo

Marcelo Camelo – Copacabana

Gram – Seu Minuto, Meu Segundo

Moptop – Alguém pra Mim

Vander Lee – O Dedo do Tempo no Barro da Vida

Posted by: u.r. | March 8, 2009

Lily Allen – It’s Not Me, It’s You

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Fazem pouco menos de 4 anos, que Lily Allen começou a juntar cada vez mais amigos no site de relacionamentos e vitrine musical, MySpace (www.myspace.com/lilyallen). Com a página neste site, Lily Allen, então com 21 anos começou a ganhar a atenção da mídia especializada e conseguiu abocanhar um contrato com uma grande gravadora, interessada nas suas demos que ela disponibilizava por meio do site. Seu primeiro álbum, “Alright, Still” foi sucesso de crítica e público, vendendo cerca de 2,5 milhões de unidades com suas músicas que falavam, com doses cavalares de sarcasmo e humor, de relacionamentos sabotados, de noitadas de sexta-feira, da vida londrina e até mesmo dos hábitos de consumo de substâncias ilegais de seu irmão menor. Dois anos após o lançamento e o sucesso estrondoso, Lily lança, talvez o maior desafio da carreira de um artista que teve a sorte de ganhar reconhecimento logo com a sua estréia, o segundo álbum: “It’s Not Me, It’s You”, onde abandona o renomado produtor Mark Ronson, responsável pela ascensão das novas “musas” da música inglesa como Amy Winehouse, Adele e a própria Lily, e a sonoridade sessentista e próxima dos ritmos caribenhos como o ska e o reggae, para abraçar um sonoridade eletrônica, mais próxima da disco music dos anos 80 (bem de acordo com a tendência da música atual). O disco é repleto de sucessos prontos para a rádio, como por exemplo o primeiro single “The Fear”, “Chinese” e “Who’d Have Known”, mas nenhum com o poder de fogo de “Smile”, grande hit de sua carreira. Em relação aos temas, Lily, que também é compositora, parece ter se acalmado um pouco e podemos ver nas letras um lado mais questionador, crítico e até mesmo político, como em “Him”, na qual ela indaga o que Deus pensa quando vê o quê fizemos com as nossas vidas, desde coisas diárias até sequestro de aviões, em uma clara referência ao 11/09, em “Fuck You”, ela dispara sua raiva contra o ex-presidente americano George W. Bush em uma mensagem pra lá de direta, porém usando uma melodia que podia soar até infantil e em “Everyone’s at It”, faz a sua mea-culpa sobre o consumo de drogas e dá sinais de que a vida ‘on dope’ não é mais tão divertida. Porém, quando a temática torna-se pessoal, é onde Lily parece sair-se melhor: “The Fear” é uma crítica ao modo de vida consumista, do qual a própria cantora é vitrine e, portanto, também ‘vítima’, “Chinese”, discorre sobre a felicidade que pode ser encontrada em um relacionamento que se contenta em assistir televisão enquanto se come comida chinesa e “Never Gonna Happen”, um tango moderno, é sobre a independência da cantora em relação ao seus relacionamentos. O disco expõe sem retoques a personalidade espontânea, polêmica, inteligente e bem-humorada de Lily Allen, embora pelo título do álbum ela faz querer parecer que não se trata dela e sim, de nós (ou da imprensa?) que prestamos muita atenção nela, o quê pode parecer contraditório para uma artista que abre sua própria intimidade ao twitter (www.twitter.com/lilyroseallen) ou frequentemente é matéria de revistas sensacionalistas, visto suas declarações polêmicas e modo de vida desmedido. Porém isto não tira o mérito de “It’s Not Me, It’s You” que é um ótimo disco pop, com músicas de ritmo empolgante e letras sinceras e também contundentes, embaladas com a voz doce e melodiosa de Lily, que parece ser um dos poucos artistas surgidos no boom produzido pelo myspace a ter fôlego para uma carreira real. 

lily_allen“I don’t know what’s right and what’s real anymore…
I don’t know how I’m meant to feel anymore…
When do you think it will all become clear?
‘Cuz I’m being taken over by The Fear…”

Posted by: u.r. | March 8, 2009

Pollock-Me

pollock

Jackson Pollock foi um dos grandes nomes das artes plásticas norte-americanas do século passado. Sua técnica conhecida como “dripping” permitia ao artista expressar nas imensas telas o seu interior conturbado e  caótico, como as grandes mentes geralmente são. Navegando pela net, descobri o site www.jacksonpollock.org, que permite, por meio de uma animação flash, que você desenhe livremente ao estilo de Pollock. Dependendo da velocidade, dos cliques do mouse e da aleatoriedade das cores que aparecem na sua tela, uma nova obra do expressionismo abstrato nasce. Tudo bem que não é um Pollock original como o que ilustra o post, mas já dá pra fazer um logo deste blog, por exemplo, como você pode observar no novo topo do blog!

– Arte original: Number One, Jackson Pollock , The Terrain Gallery.

Posted by: u.r. | February 25, 2009

Cidade Pequena, Cidade Grande

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Não, esta não é uma resenha do livro homônimo ao título do post, escrito em 1950 por Jack Kerouac, embora haja a semelhança entre a história do protagonista que troca a pequena cidade de Galloway pela grande metropóle de Nova Iorque e deste que vos escreve, guardadas as devidas proporções, é claro. Aliás, semelhança não só comigo não. É a grande fábula do mundo moderno: jovem abandona o conforto da casa dos pais em busca de seu lugar no mundo. Faculdade, trabalho, emprego, dinheiro, poder ou fama, qualquer coisa que mostre a todos aqueles que ainda ficaram na sua antiga cidade como aquele menino amarelo cresceu. Nesta jornada cabem todas as histórias de superação e crescimento possíveis, bem ao estilo dos filmes de Hollywood, só que com diferentes atores e um pior figurino: acordar tarde e quase perder um evento importante, corta pra você correndo atrás de um ônibus que invariavelmente você não vai pegar, está chovendo e para piorar você tem que apresentar um trabalho que vale 95% da nota do semestre, você está chegando, mas espere, o mesmo ônibus que você não conseguiu pegar um pouco antes (ok, não é o mesmo ônibus mas pra ganhar carga dramática…) passa do seu lado voando por cima de uma enorme poça d’água e é o seu segundo banho em menos de uma hora. Você pode jurar que viu o sorriso sarcástico do motorista pelo retrovisor, para amigos mais próximos, você confesa que viu o motorista botar o dedo médio em riste e pensa em processar a empresa: não vai dar em nada. Você descobre amizades que pareciam impossíveis e pretensos novos amigos fazerem coisas que pareciam improváveis, mas, ué, você não está mais na caixa de areia do parquinho, aqui é a vida real e não adianta chamar pela mamãe. Você fica doente e sara, você se apaixona e desapaixona,  apaixona-se mais uma vez, é correspondido e estraga tudo com medo de parecer desesperado, apaixona-se novamente e ninguém lhe dá a mínima… Quando você se dá conta um pensamento aterrador (que ficará ali por muito tempo) lhe chega à cabeça e um aperto lhe toma o peito: “Não seria melhor se eu ficasse lá na MINHA cidade?” Quem mora longe de onde foi criado sabe do quê estou falando: a velha dúvida que vira e mexe vem às nossas consciências. Analisando friamente talvez não fosse a melhor coisa ficar na cidade pequena. Talvez fosse. As oportunidades, sim, são melhores em uma metrópole, as formas de diversão, a quantidade de pessoas que você pode conhecer, porém por outro lado, será que compensa o estresse, a violência e a impessoalidade das relações? Pelo outro lado, ser sempre o filho-de-não-sei-quem, ir sempre aos mesmos lugares e não conhecer o mundo deve ser escolhido em nome da segurança e do conforto? Difícil saber, o quê eu sei é que as escolhas que fazemos são quem nos transformam em quem realmente nós somos, tanto em uma cidade pequena ou numa cidade grande. E talvez, sem ter escolhido correr atrás dos meus sonhos numa cidade maior, eu não seria quem eu sou hoje ou quem um dia eu pretendo me tornar… Muita viagem, né? Isto tudo por que novamente, com o final das férias, terei de trocar os confortos e facilidades de uma cidade pequena e das asas dos pais pelo estresse e a independência da cidade grande. Ah, o quê não se faz para conseguir o que quer, verdade em 1950, verdade ainda hoje…

Posted by: u.r. | February 24, 2009

De Volta aos Trabalhos

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Depois de um longo e tenebroso inverno verão, em que o blog passou por um período de míngua, ficando totalmente meio desativado,  é hora de voltar à ativa.  É interessante como o tempo é algo de difícil manejo, quanto mais temos, menos sabemos administrá-lo. Enfim, o blog volta à sua programação normal (?!), posts em uma irregular-time -basis. 😛

Posted by: u.r. | February 2, 2009

On Hiatus

monkey-hiatus

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No mas. Hasta la vista.

Posted by: u.r. | January 4, 2009

2009 Playlist

Férias, praia, solzão lá fora, não é querendo ser repetitivo, mas existe alguma coisa que combine mais com estas coisas do que uma boa música? Foi assim que decidi postar aqui o quê estava ouvindo. Para a primeira playlist do ano de 2009, eu estava dando uma olhada no last.fm e vi que no ano passado descobri várias músicas bacanas, muitas das quais não passo sequer 2 dias sem ouvi-las, então decidi compartilha-las aqui, no espírito de boas ações que a entrada de ano desperta. Tem The Killers, minha banda favorita atualmente, Keane que faz show no Brasil em março deste ano, Poet in Process, uma banda espanhola que canta em inglês que ouvi no filme Hellboy 2, Sufjan Stevens com sua impressionante capacidade de colocar poesia em histórias extremamente tristes, Rachael Yamagata, com “Elephants” que considero uma das músicas mais bonitas já escritas, Lily Allen e o single “The Fear” do próximo álbum que sai em fevereiro, Jenny Lewis, em sua empreitada solo, longe do Rilo Kiley e Matt Costa e Greg Laswell, boas descobertas (para mim) do ano passado.

1st2009playlist

The Killers – This Is Your Life

Keane – Black Burning Heart

Poet in Process – Why

Jason Mraz – If It Kills Me

Greg Laswell – Days Go On

Lily Allen – The Fear

Matt Costa – Mr. Pitiful

Rachael Yamagata – Elephants

Sufjan Stevens – Casimir Pulaski Day

Jenny Lewis – Godspeed

Posted by: u.r. | December 31, 2008

Los Campesinos – My Year in Lists

Olhando nos tags relacionados do blog pude ver que os assuntos mais discutidos até agora foram músicas e listas. Então não tem forma melhor de encerrar o ano, postando no último dia do ano  uma ótima junção destes temas. O grupo inglês “Los Campesinos” com “My Year in Lists”. Um excelente 2009 para todos

Posted by: u.r. | December 29, 2008

Resoluções de Ano Novo

enough

A proximidade de um ano novo se aproximando e mais um ano se acabando levam a gente a pensar tudo quê aconteceu no ano que passou e projetar para o futuro tudo aquilo que falhamos ou queríamos ter feito diferente, seja arrumar aquele emprego que remunere melhor, fazer aquela dieta, finalmente fazer aquela viagem que há tanto está esperando para acontecer, entrar na academia, estudar mais: 365 dias novos esperando para serem usados da melhor forma possível, 365 novas chances de fazerem as coisas do seu jeito. As resoluções de ano novo, embora muitas delas não sobrevivam até fevereiro, tem o seu valor por nos dar ânimo e esperança na espera de dias melhores (já que nunca estamos plenamente satisfeitos com a nossa situação atual). No site http://newresolution.tumblr.com/ existem 53 resoluções de ano novo bem-humoradas, para inspirar a sua entrada de um novo tempo, mas minha dica para o ano novo é a música da cantora australiana Lenka, Live Like You’re Dying, cujo download está disponível após a letra abaixo. Não adianta reclamar do quê acontece com você, dos caminhos que a sua vida toma, o que você faz com isto é o quê interessa, como você reage ao mundo é o que lhe define, cada momento que você perde reclamando como tudo deveria ser diferente e que o destino conspira contra você é um momento que se esvai para nunca mais retornar. Aproveite 2009!

yourself

“One of these days you´ll be / Under the covers you´ll be/ Under the table and you´ll realize / All of your days are numbered / All of them one to one hundred / All of them millions / All of them trillions/ So what are you gonna do with them all? / You cannot trade them in for more no, no / Take every moment / You know that you own them / It´s all you can do / Use what´s been given to you / Give me a reason to fight the feeling/ That there´s nothing here for me / ‘Cause none of it´s easy/ I know it wasn´t meant to be / I know it´s all up to me, it´s all up to me / So what am I gonna do with my time? / I´ll take every moment / I know that I own them/ It´s all up to you to do whatever you choose / Live like you´re dying/ And never stop trying / It´s all you can do / Use what´s been given to you / All of the moments you didn´t notice / Gone in the blink of an eye / All of the feelings you couldn´t feel / No matter how you tried…”

DOWNLOAD: Lenka – Live Like You’re Dying

Posted by: u.r. | December 14, 2008

Capitu

Capitu

 A TV estava ligada na sala e eu estava no computador, quando começou a tocar uma música que me pareceu familiar, corri para ver o quê era… Ou eu fiquei louco ou ontem, durante a exibição do último capítulo da minissérie global “Capitu”, a trilha sonora usada em uma cena foi Elephant Gun, do Beirut? Isto mesmo, Elephant Gun! E pra piorar a personagem Capitu, estava dançando-a! Dançando Elephant Gun!!! Pode ser até casmurrice minha, mas o quê tem uma coisa a ver com a outra?! Eu posso até estar sendo injusto, já que não assisti um capítulo sequer da minissérie, que resolveu passar na última semana de provas da faculdade, mas todo aquele clima de Dom Casmurro on acid, não instigou nem um pouco: tudo muito caricato, pesado e borrado demais para a grande obra da literatura nacional que é o clássico de Machado de Assis. Ficou bem típico dessas produções de final de ano na Globo, que confundem experimentalismo e linguagem confusa com qualidade e acaba dando nisto: uma personagem dançando Elephant Gun! Por favor, me batam se eu ligar na Globo por estes dias…

P.S.: Pelo menos acertaram na escolha das Capitus, como pode-se ver pela foto acima.

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