Posted by: u.r. | March 8, 2009

Lily Allen – It’s Not Me, It’s You

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Fazem pouco menos de 4 anos, que Lily Allen começou a juntar cada vez mais amigos no site de relacionamentos e vitrine musical, MySpace (www.myspace.com/lilyallen). Com a página neste site, Lily Allen, então com 21 anos começou a ganhar a atenção da mídia especializada e conseguiu abocanhar um contrato com uma grande gravadora, interessada nas suas demos que ela disponibilizava por meio do site. Seu primeiro álbum, “Alright, Still” foi sucesso de crítica e público, vendendo cerca de 2,5 milhões de unidades com suas músicas que falavam, com doses cavalares de sarcasmo e humor, de relacionamentos sabotados, de noitadas de sexta-feira, da vida londrina e até mesmo dos hábitos de consumo de substâncias ilegais de seu irmão menor. Dois anos após o lançamento e o sucesso estrondoso, Lily lança, talvez o maior desafio da carreira de um artista que teve a sorte de ganhar reconhecimento logo com a sua estréia, o segundo álbum: “It’s Not Me, It’s You”, onde abandona o renomado produtor Mark Ronson, responsável pela ascensão das novas “musas” da música inglesa como Amy Winehouse, Adele e a própria Lily, e a sonoridade sessentista e próxima dos ritmos caribenhos como o ska e o reggae, para abraçar um sonoridade eletrônica, mais próxima da disco music dos anos 80 (bem de acordo com a tendência da música atual). O disco é repleto de sucessos prontos para a rádio, como por exemplo o primeiro single “The Fear”, “Chinese” e “Who’d Have Known”, mas nenhum com o poder de fogo de “Smile”, grande hit de sua carreira. Em relação aos temas, Lily, que também é compositora, parece ter se acalmado um pouco e podemos ver nas letras um lado mais questionador, crítico e até mesmo político, como em “Him”, na qual ela indaga o que Deus pensa quando vê o quê fizemos com as nossas vidas, desde coisas diárias até sequestro de aviões, em uma clara referência ao 11/09, em “Fuck You”, ela dispara sua raiva contra o ex-presidente americano George W. Bush em uma mensagem pra lá de direta, porém usando uma melodia que podia soar até infantil e em “Everyone’s at It”, faz a sua mea-culpa sobre o consumo de drogas e dá sinais de que a vida ‘on dope’ não é mais tão divertida. Porém, quando a temática torna-se pessoal, é onde Lily parece sair-se melhor: “The Fear” é uma crítica ao modo de vida consumista, do qual a própria cantora é vitrine e, portanto, também ‘vítima’, “Chinese”, discorre sobre a felicidade que pode ser encontrada em um relacionamento que se contenta em assistir televisão enquanto se come comida chinesa e “Never Gonna Happen”, um tango moderno, é sobre a independência da cantora em relação ao seus relacionamentos. O disco expõe sem retoques a personalidade espontânea, polêmica, inteligente e bem-humorada de Lily Allen, embora pelo título do álbum ela faz querer parecer que não se trata dela e sim, de nós (ou da imprensa?) que prestamos muita atenção nela, o quê pode parecer contraditório para uma artista que abre sua própria intimidade ao twitter (www.twitter.com/lilyroseallen) ou frequentemente é matéria de revistas sensacionalistas, visto suas declarações polêmicas e modo de vida desmedido. Porém isto não tira o mérito de “It’s Not Me, It’s You” que é um ótimo disco pop, com músicas de ritmo empolgante e letras sinceras e também contundentes, embaladas com a voz doce e melodiosa de Lily, que parece ser um dos poucos artistas surgidos no boom produzido pelo myspace a ter fôlego para uma carreira real. 

lily_allen“I don’t know what’s right and what’s real anymore…
I don’t know how I’m meant to feel anymore…
When do you think it will all become clear?
‘Cuz I’m being taken over by The Fear…”


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