
Não, esta não é uma resenha do livro homônimo ao título do post, escrito em 1950 por Jack Kerouac, embora haja a semelhança entre a história do protagonista que troca a pequena cidade de Galloway pela grande metropóle de Nova Iorque e deste que vos escreve, guardadas as devidas proporções, é claro. Aliás, semelhança não só comigo não. É a grande fábula do mundo moderno: jovem abandona o conforto da casa dos pais em busca de seu lugar no mundo. Faculdade, trabalho, emprego, dinheiro, poder ou fama, qualquer coisa que mostre a todos aqueles que ainda ficaram na sua antiga cidade como aquele menino amarelo cresceu. Nesta jornada cabem todas as histórias de superação e crescimento possíveis, bem ao estilo dos filmes de Hollywood, só que com diferentes atores e um pior figurino: acordar tarde e quase perder um evento importante, corta pra você correndo atrás de um ônibus que invariavelmente você não vai pegar, está chovendo e para piorar você tem que apresentar um trabalho que vale 95% da nota do semestre, você está chegando, mas espere, o mesmo ônibus que você não conseguiu pegar um pouco antes (ok, não é o mesmo ônibus mas pra ganhar carga dramática…) passa do seu lado voando por cima de uma enorme poça d’água e é o seu segundo banho em menos de uma hora. Você pode jurar que viu o sorriso sarcástico do motorista pelo retrovisor, para amigos mais próximos, você confesa que viu o motorista botar o dedo médio em riste e pensa em processar a empresa: não vai dar em nada. Você descobre amizades que pareciam impossíveis e pretensos novos amigos fazerem coisas que pareciam improváveis, mas, ué, você não está mais na caixa de areia do parquinho, aqui é a vida real e não adianta chamar pela mamãe. Você fica doente e sara, você se apaixona e desapaixona, apaixona-se mais uma vez, é correspondido e estraga tudo com medo de parecer desesperado, apaixona-se novamente e ninguém lhe dá a mínima… Quando você se dá conta um pensamento aterrador (que ficará ali por muito tempo) lhe chega à cabeça e um aperto lhe toma o peito: “Não seria melhor se eu ficasse lá na MINHA cidade?” Quem mora longe de onde foi criado sabe do quê estou falando: a velha dúvida que vira e mexe vem às nossas consciências. Analisando friamente talvez não fosse a melhor coisa ficar na cidade pequena. Talvez fosse. As oportunidades, sim, são melhores em uma metrópole, as formas de diversão, a quantidade de pessoas que você pode conhecer, porém por outro lado, será que compensa o estresse, a violência e a impessoalidade das relações? Pelo outro lado, ser sempre o filho-de-não-sei-quem, ir sempre aos mesmos lugares e não conhecer o mundo deve ser escolhido em nome da segurança e do conforto? Difícil saber, o quê eu sei é que as escolhas que fazemos são quem nos transformam em quem realmente nós somos, tanto em uma cidade pequena ou numa cidade grande. E talvez, sem ter escolhido correr atrás dos meus sonhos numa cidade maior, eu não seria quem eu sou hoje ou quem um dia eu pretendo me tornar… Muita viagem, né? Isto tudo por que novamente, com o final das férias, terei de trocar os confortos e facilidades de uma cidade pequena e das asas dos pais pelo estresse e a independência da cidade grande. Ah, o quê não se faz para conseguir o que quer, verdade em 1950, verdade ainda hoje…

voltei pro wordpress!
bem, eu decidi ir atrás de novas oportunidades. é por isso que estou indo apra são paul em novembro. além do mais… eu sinto que é lá que está o grande amor da minha vida… seja ele quem for.
beijo
By: jazz on February 25, 2009
at 12:43
Tell me about it! Post perfeito…
As dúvidas sempre estarão nas nossas cabeças, fazem parte do ser humano… O que seria de nós se não questionássemos se a grama do vizinho é realmente mais verde? Mas o que temos que pensar é que morar longe de casa e passar sim por pequenas (às vezes nem tão pequenas assim) dificuldades é o que nos faz ser quem somos, é o que nos faz crescer… quem sabe até aparecer…
“Just keep your eyes on the road, and nothing can go wrong…”
By: Tali on March 29, 2009
at 02:41