
Atualmente, todo mundo tem algo a falar. Todo mundo sente um desejo urgente de ser ouvido, a todo momento, por quem quer que seja. A verdade é que apesar toda a tecnologia que nos cerca: celulares de última geração, comunicadores instantâneos na internet, sites de relacionamento, toda essa parafernália ter prometido conectividade e interação com qualquer pessoa no globo terrestre, estamos sozinhos e solitários. 500 pretensos amigos na lista do orkut dos quais somente, 10, talvez, 15, sabem o seu telefone, sendo que menos da metade, te telefonou recentemente. Uma lista enorme de contatos no messenger, mas você insiste em bloquear aqueles que desconhece, quando você se questiona se deveria ter aceito o contato, em primeiro lugar. Estamos sempre conectados, embora eu tenha me esquecido a razão disso. Todos nós esquecemos. Pior de tudo isso é que estamos pagando caro por todo esse avanço tecnológico. Algo além, do preocupante aquecimento global e do crescente número de desastres naturais causados pela presença inconseqüente e destruitiva do Homem na Terra, algo que também ameaça a existência humana por questionar uma das principais características de qualquer sociedade: o instinto coletivo. Eis a grande ironia, a Internet, que pretendia agregar os continentes numa grande “aldeia global” isolou as pessoas em pequenas e confortáveis ilhas de informação. Sabemos mais facilmente a placa do carro de uma celebridade do que o nome do vizinho de apartamento. Sabe-se sobre quase tudo e aplica-se esse conhecimento em quase nada. Deve ser por isso que os blogs têm feito tanto sucesso. É a oportunidade de alguém ser percebido além de um recado no scrapbook, uma conversa no MSN ou um álbum no fotolog. Tenho lido bastante blogs interessantes que discutem, opinam, refletem a vida de hoje em dia. Talvez, tenha sido isso que tenha me motivado à ter meu próprio blog. Talvez não. Talvez seja mais um grão de areia no deserto na ‘world wide web’. Talvez seja a tal vontade imperativa de ser ouvido, que contagiou à todos e que invariavelmente eu não irei negar, afinal, como diria Rousseau, o homem é fruto do meio. Eu sou fruto do meio. E é sobre o meu meio, que irei falar aqui. Essas quatro paredes que me circundam, protegem, até sufocam, mas se eu baixo a guarda até que elas me surpreendem. Este já foi o primeiro post. Bem-vindos ao meu ‘great indoors’.

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By: Mr WordPress on March 31, 2007
at 00:38
Comentário de rodrigo
Lido e admirado.
horrormon@hotmail.com
que ironia eu deixar meu msn né?
abraços.
By: Rodrigo A. on November 14, 2007
at 16:18
yes, we are conected!
By: Jazz on July 21, 2008
at 09:29